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Muitas
vezes em trabalhos de Consultoria junto
a empresas de diversos setores, nos
deparamos com queixas sobre o mercado, a
concorrência, impostos, custo da mão
de obra, enfim, um rosário de
lamentações a respeito da dificuldade
de ainda se ter algum lucro ao final de
cada exercício.
Não
refutando como ilegítimas tais queixas,
insistimos na questão de melhorar o
gerenciamento de estoques, processos de
produção, administrativos, de compras,
para minorar a questão das perdas que
existem ao longo da produção em
qualquer empresa ou setor. Qualquer
redução que conseguirmos no quesito
perdas resultará em mais chances de
lucro ao final do exercício.
Temos
insistido neste item como uma forma de
alcançar melhores resultados
financeiros com ganhos para a Comunidade
e Meio Ambiente. Ou seja, ao utilizarmos
de forma mais produtiva os insumos
retirados do meio, estaremos
economizando para nosso futuro um bem
comum a todos, seja minério, madeira,
energia, água. Os ganhos não se
refletirão apenas no balanço
financeiro, atingirão de forma positiva
também o social e o ambiental.
Via
de regra, lamentavelmente, a
discordância é ferrenha. O conceito de
produzir mais com menos aponta para o
fato de que podemos almejar melhorias
que nos remetam a esta situação, mas
isto não é consenso. Fatos,
entretanto, corroboram com nossa
opinião.
País
perde 13% da safra de grãos entre o
plantio e a armazenagem,
matéria divulgada no Jornal do
Comércio em sua edição de 16 de
março passado, segundo pesquisa do IBGE
divulgada recentemente. E os motivos
são dolorosos: falta de manutenção
das máquinas, no transporte, na
armazenagem.
O
comércio varejista no Brasil apresenta
um cenário melhor, pois suas perdas
giram em torno de 1,72% da renda anual,
mas o número absoluto assusta, nada
menos de R$ 2 bilhões de reais (revista
Anamaco, OUT/2004), perdas estas
causadas por furtos, quebras
operacionais e erros administrativos.
E
a Construção Civil, onde se falam em
perdas de 10, 15 e até 25% em alguns
casos? E são dados comprovados por
estudos e pesquisas que apontam para
falhas de projetos, de processos de
produção, estoques, não esquecendo da
mão de obra sem formação ou
qualificação.
Vamos
continuar a insistir na questão de que,
se temos possibilidades de algum lucro
ao final do exercício, mas deixarmos de
cuidar para que as perdas não o
corroam, não teremos motivos para
reclamar de questões mais distantes.
Teremos o direito, com certeza, mas
estaremos discursando ao vento, jogando
energia fora e deixando nossos ganhos
escorrerem pelo ralo. Lentamente.
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