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Março de 2005

Roberto Lima

 

Perdas Operacionais

Muitas vezes em trabalhos de Consultoria junto a empresas de diversos setores, nos deparamos com queixas sobre o mercado, a concorrência, impostos, custo da mão de obra, enfim, um rosário de lamentações a respeito da dificuldade de ainda se ter algum lucro ao final de cada exercício.

Não refutando como ilegítimas tais queixas, insistimos na questão de melhorar o gerenciamento de estoques, processos de produção, administrativos, de compras, para minorar a questão das perdas que existem ao longo da produção em qualquer empresa ou setor. Qualquer redução que conseguirmos no quesito perdas resultará em mais chances de lucro ao final do exercício.

Temos insistido neste item como uma forma de alcançar melhores resultados financeiros com ganhos para a Comunidade e Meio Ambiente. Ou seja, ao utilizarmos de forma mais produtiva os insumos retirados do meio, estaremos economizando para nosso futuro um bem comum a todos, seja minério, madeira, energia, água. Os ganhos não se refletirão apenas no balanço financeiro, atingirão de forma positiva também o social e o ambiental.

Via de regra, lamentavelmente, a discordância é ferrenha. O conceito de produzir mais com menos aponta para o fato de que podemos almejar melhorias que nos remetam a esta situação, mas isto não é consenso. Fatos, entretanto, corroboram com nossa opinião.

País perde 13% da safra de grãos entre o plantio e a armazenagem, matéria divulgada no Jornal do Comércio em sua edição de 16 de março passado, segundo pesquisa do IBGE divulgada recentemente. E os motivos são dolorosos: falta de manutenção das máquinas, no transporte, na armazenagem.

O comércio varejista no Brasil apresenta um cenário melhor, pois suas perdas giram em torno de 1,72% da renda anual, mas o número absoluto assusta, nada menos de R$ 2 bilhões de reais (revista Anamaco, OUT/2004), perdas estas causadas por furtos, quebras operacionais e erros administrativos.

E a Construção Civil, onde se falam em perdas de 10, 15 e até 25% em alguns casos? E são dados comprovados por estudos e pesquisas que apontam para falhas de projetos, de processos de produção, estoques, não esquecendo da mão de obra sem formação ou qualificação.

Vamos continuar a insistir na questão de que, se temos possibilidades de algum lucro ao final do exercício, mas deixarmos de cuidar para que as perdas não o corroam, não teremos motivos para reclamar de questões mais distantes. Teremos o direito, com certeza, mas estaremos discursando ao vento, jogando energia fora e deixando nossos ganhos escorrerem pelo ralo. Lentamente.

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