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Abril de 2006

Roberto Lima

 

Ética e Sucesso

Recebemos continuamente, e cada vez mais, recomendações para buscarmos ser um sucesso na nossa carreira, ter ótimo desempenho diariamente em nosso trabalho, buscar destacar-nos sobre os demais. Isto seria, na opinião de muitos mentores de carreira, o que nos colocará em destaque no mundo dos negócios.

Nas nossas atividades diárias recebemos incumbências crescentes de trabalho, de atingimento de metas que se movimentam continuamente, buscar, quase que a qualquer custo, o sucesso financeiro de nossa empresa. E afinal isto pode estar certo, ao menos do ponto de vista financeiro.

Mas o que não podemos deixar de lado, em hipótese alguma, é a manutenção de valores de comportamento. Imoralidades e falta de valores pessoais vemos todos os dias no cenário político nacional e, pelo que ouço, isto incomoda à maioria das pessoas.

Vemos isto também em muitos de nossos concorrentes. Há empresas, ou empresários, que mais buscam agredir a concorrência do que valorizar seus próprios produtos e serviços. Posicionamentos deste tipo acabam levando para baixo a ambos, agressor e agredido, independente de fundamentos, de verdades. 

Então vejamos: se isto incomoda a nós nos negócios e na política, não há motivos para adotar este tipo de comportamento, nem induzi-lo nos colaboradores. Assim, e isto tem de ser conseqüência, devemos passar a melhor considerar as pessoas de valor em nossas organizações, antes daquelas que buscam o sucesso independente dos meios. 

Ao buscarmos avaliar os Recursos Humanos de nossa empresa, devemos estar atentos para bem valorizar os comportamentos éticos, de valor. Ao desenvolvermos treinamentos para nossos colaboradores, também devemos inserir conteúdos que atentem para estes quesitos: valor, ética, comportamento. As ações para o desenvolvimento de RH não podem ficar nos treinamentos em técnicas de vendas, técnicas disso e daquilo. Devem ir muito além. Devemos gerir a empresa com vistas ao longo prazo.

Todos conhecemos dois tipos de vendedores, pelo menos estes dois tipos é que vamos aqui destacar. O primeiro é aquele que alardeia, explora, todas as falhas ou ineficiências do produto da concorrência, reais ou não, daí então, vende o seu peixe. O segundo tipo busca demonstrar todas as qualidades de seu produto, vantagens financeiras, de manutenção, de confiabilidade. Nem mesmo citam o concorrente.

Tenho visto, felizmente, que as pessoas do segundo tipo são mais procuradas, mais valorizadas. Parece que transmitem mais confiança aos clientes do que os outros. Isto resulta em crescimento para eles, moral e financeiro. Dão qualidade e valor ao RH de nossa empresa.

"Procure ser uma pessoa de valor, em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é conseqüência", nos disse Albert Einstein. 

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